in Toronto
Sou de naturalidade alemã, mas possuo também a nacionalidade portuguesa (por casamento, em terceiras núpcias, com um português). A minha língua materna é o alemão; no entanto, falo igualmente inglês, francês e português. Tenho dois filhos adultos e três netinhos. Eu vivo separada do meu marido e moro em Portugal perto de Lisboa.

Já exerci as mais variadas actividades profissionais. Desde há 10 anos que trabalho na função pública (para a Câmara Municipal de Francoforte) no campo da política de migração e de integração. Antes disso, fundei e fui directora de uma ONG que defende os casais binacionais. Várias estadias prolongadas no estrangeiro foram para mim das experiências mais importantes da minha vida. No início das minhas actividades profissionais, trabalhei primeiro como correspondente internacional para empresas comerciais, depois no sector dos serviços, no sector editorial e no ramo da publicidade, assim como vários anos na redacção de jornais e revistas.

Desde sempre me interessei por temas socio-políticos. Quer como representante da minha turma escolar, como membra eleita do Conselho de Empresa, como presidente nacional dum Comité de Especialidade do Sindicato do Comércio-Bancos-Seguros ou como mulher empenhada em grupos feministas, sempre fui impulsionada e motivada pelas questões da Igualdade dos Direitos, da Emancipação, da Participação Social, dos Direitos Humanos.

Fui fundadora e, durante cerca de 20 anos, presidente e administradora de uma NGO, a IAF (Associação das Famílas Binacionais) Porque me empenho assim tanto por uma democracia social de base e pelas questões da migração? A esta pergunta haverá, não uma mas várias respostas. Com certeza que as minhas próprias experiências com a xenofobia foram determinantes. E, como mulher de um estrangeiro, já vivi "à flor da pele" o que significa ser estrangeiro na Alemanha, ser um não-europeu na sociedade rica dos "ocidentais brancos". Infelizmente, os imigrantes na Alemanha conhecem bem o que é ser discriminado pela arrogância, pelo chauvinismo, pelo colonialismo e até mesmo pelo racismo europeus. A mesma discriminação sentem também pessoas que pertencem a minorias sociais ou cujo comportamento ou forma de viver não correspondem às normas vigentes. E, não por último, são discriminadas também as mulheres alemãs, sobretudo as mulheres que casam com estrangeiros. Foram estas experiências discriminatórias, reforçadas pela discriminação "legal" consagrada em muitas leis alemãs, que me levaram a fundar em 1970 a "Associação das Mulheres Alemãs Casadas com estrangeiros", abreviadamente "iaf". Eu queria dar expressão à minha revolta, lutar pelos meus direitos e pelos direitos da minha família mas, ao mesmo tempo, via essa luta associada à luta contra a discriminação dos imigrantes, dos refugiados políticos, das mulheres em geral.

foi oficialmente fundada em 1971, juntamente com muitas outras parceiras de luta que me ajudaram a transformar a iaf numa ONG bem grande e cheia de sucesso. Nos anos 70, resolvi por essa razão reorientar-me profissionalmente: foi assim que fiz um curso universitário de Direito e, paralelamente, uma especialização em "Intercultural Counselling".

O meu trabalho num grupo de auto-ajuda, a interligação estreita do nosso trabalho com o trabalho de outros grupos, assim como uma política activa junto dos mass-media, foram a razão de ser do nosso sucesso. Um sucesso que também se traduziu no campo jurídico e legislativo. O meu empenhamento pela causa das Mulheres fez-me ganhar a Medalha Elisabeth-Norgall em 1978. Anos mais tarde, fui também condecorada duas vezes na Alemanha pelo Presidente da República Federal com o grau de Comendadora: em 1986 com a Medalha da Ordem de Mérito de Comenda da República Federal da Alemanha pelo meu empenhamento em prol dos direitos das mulheres, e em 2003 com a Cruz da Ordem de Mérito de Comenda da República Federal da Alemanha por toda uma vida dedicada ao trabalho honorífico.

Além disso, sou membra do Conselho da União Humanista, uma conceituada organização de Direitos Humanos na Alemanha. A União Humanista, concedeu-me em 1985 o Prémio Fritz-Bauer como reconhecimento pelo meu empenhamento em prol da Democracia e dos Direitos das Minorias.

Também sou membra da Direcção da Fundação "Mitarbeit" uma Fundação que fomenta o trabalho honorífico na sociedade alemã através de seminários e de cursos de formação, assim como do apoio concreto a iniciativas de cidadãos de auto-ajuda.

Como bolseira do "German Marshall Fund" estudei intensamente as políticas de imigração, de integração e de anti-discriminação dos EUA. Num grupo de trabalhos transatlântico constituído há dez anos e destinado a analisar questões ligadas à migração, tive inúmeras oportunidades de ver no campo, de estudar e de discutir com outros peritos norte-americanos e europeus sobre experiências migratórias e de asilo em vários países dos dois continentes, num mundo em vias de globalização. Migration Dialogu e outras instituições põem essas experiências também à disposição do público em geral.

Desde 1989 até Setembro de 2001, fui Directora dos  Serviços Multiculturais da Câmara Municipal de Francoforte/Meno na Alemanha Federal. Através da minha actividade dentro de uma instituição autárquica, sei quão importantes são o trabalho político de esclarecimento sobre as questões de migração e as campanhas e actividades anti-discriminação na nossa sociedade. Isso é válido em particular para as instituições públicas, que têm um papel muito importante na concretização dos ideais democráticos na vida prática.

Por tudo isto,  gostaria de manter contacto, mesmo fora da minha actividade profissional normal, com pessoas que se interessam por este tipo de questões e que estão ao corrente das evolução políticas subjacentes às mesmas. Eu própria estou disposta a estabelecer contactos por minha própria iniciativa. Contudo, para mim é importante, não só fazer reivindicações, mas também lutar pela concretização das mesmas no "trabalho-de-sapa" do dia-a-dia, conjuntamente com outras pessoas e grupos,  no acompanhamento e desencadeamento de processos de transformação social, na procura de novos  modelos e estruturas, na aprendizagem permanente de novos métodos.

Sou e sinto-me europeia. Estou muito feliz por viver numa era em que, para muitos de nós, cada vez é mais fácil de passar pelas antigas fronteiras sem quaisquer problemas. E luto para que esta Europa se abra cada vez mais, se torne cada vez mais numa Europa verdadeiramente democrática, com uma Constituição e Direitos Civis para todos os cidadãos que vivam no seu território.

O meu sonho é o de ver o direito de livre circulação alargado aos cidadãos de países fora da União Europeia mas que aqui vivam, sem discriminações por razões pessoais, de nacionalidade, de origem social ou étnica, de religião ou sexuais. Isso implicará a necessidade, não só de grandes transformações entre nós, mas também nos países e nas vidas das pessoas do terceiro mundo.

Com esta Homepage gostaria, pois, de aproveitar um meio moderno de comunicação para manter e estabelecer contactos, quer ao nível nacional quer internacional.

Se estiver interessado/a, escreva-me e faça sugestões. Será com muito prazer que as divulgarei aqui ou no lugar apropriado.